10/12/2007 18:44h
Guilherme Dias: Gás do Espírito Santo é limpo, de boa qualidade
A Petrobras confirmou a descoberta de novas reservas de gás natural ao Norte do Campo de Camarupi, na Bacia do Espírito Santo. O secretário de desenvolvimento do Espírito Santo, Guilherme Dias, disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta segunda-feira, dia 10, que esse campo vai produzir quase a mesma quantidade de gás natural que o Brasil importa da Bolívia. "Essa região vai poder disponibilizar alguma coisa em torno de 20 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural. Para você ter uma idéia, a importação de gás natural da Bolívia é algo em torno de 26 milhões de metros cúbicos por dia", disse Dias.
Segundo Guilherme Dias, são vários campos produtores na Bacia do Espírito Santo. Ele disse que essa já é uma área muito importante e essa descoberta desse gás no bloco vizinho reforça o potencial de produção.
Guilherme Dias destacou que a Bacia do Espírito Santo tem gás limpo, de boa qualidade, e petróleo leve. "É uma bacia riquíssima em gás natural puro, não associado ao petróleo. Em segundo lugar, há blocos que são produtores de petróleo leve. Ou seja, não é o óleo pesado produzido na Bacia de Campos, é um óleo que o Brasil muitas vezes importa", disse Dias.
Dias disse que a Petrobras já assinou um contrato para arrendar uma nova plataforma no sistema de "navios adaptados", que têm um ciclo de projeto e construção mais curto. Segundo Dias, essa plataforma já está em construção em Cingapura e a previsão é que ela comece a operar na Bacia do Espírito Santo em outubro ou novembro de 2008.
"Isso tudo ajuda quando essa plataforma vier de fato a produzir, ela ter um percentual maior de aproveitamento. Ou seja, reforça o potencial de produção", disse Guilherme Dias.
Leia a íntegra da entrevista com Guilherme Dias:
Paulo Henrique Amorim – Guilherme, qual é o tamanho dessa descoberta nova no litoral do Espírito Santo?
Guilherme Dias – Olha, a Petrobras e a El Paso, porque na verdade é um bloco que com 65% da Petrobras e 35% da El Paso...
Paulo Henrique Amorim – Do Texas.
Guilherme Dias – Do Texas, mas operada pela Petrobras e eles não anunciaram exatamente o tamanho das reservas, mas é uma área situada aqui ao norte do Estado do Espírito Santo que é hoje, no horizonte de dois três anos, é a principal área em que vai acontecer o aumento da oferta de gás natural no Brasil. Ou seja, esse estresse que tem hoje de curto prazo entre a demanda de gás natural e a oferta limitada, parte da solução do problema nos próximos dois ou três anos, virá dessa região que vai poder disponibilizar alguma coisa em torno de 20 milhões de metros cúbicos/dia de gás natural. Para você ter uma idéia, a importação de gás natural da Bolívia é algum número aí que gira em torno de 26, 27 milhões de metros cúbicos/dia. Na verdade são vários campos produtores e Camarupi já é uma área muito importante e com a descoberta desse gás no bloco vizinho reforça o potencial de produção. Inclusive essa é uma região em que a Petrobras já assinou um contrato de arrendamento de uma nova plataforma, naquele sistema de SPSO, navios adaptados, navios petroleiros que têm um ciclo de projeto e construção mais curto, essa plataforma já está em construção em Cingapura, quer dizer, a previsão dela é vir a operar por volta de outubro, novembro do ano que vem, de 2008. Então isso tudo aí ajuda, vamos dizer assim, quando essa plataforma vier de fato a produzir ela ter um percentual maior de aproveitamento, ou seja, reforça aí o potencial de produção.
Paulo Henrique Amorim – Agora isso aí é mais uma descoberta de uma série de descobertas, uma série de atividades petrolíferas no litoral do Espírito Santo, não é isso?
Guilherme Dias - O litoral do Espírito Santo, do ponto de vista geológico, do ponto de vista de petróleo e gás, tem duas regiões que são distintas. Uma região mais ao sul, do ponto de vista geológico, é uma extensão da Bacia de Campos, o que quer dizer isso? Predomina o petróleo e o óleo mais pesado e um gás natural muitas vezes associado, predominantemente associado, ao petróleo. Agora, tem a chamada Bacia do Espírito Santo que ela se inicia mais ou menos no meio do Estado do Espírito Santo, obviamente é offshore na plataforma continental, e ela se estende até um pedacinho do sul da Bahia que foram as descobertas mais recentes e de fato tem uma característica muito especial que fizeram com que, principalmente a Petrobras, antecipasse os investimentos e o esforço de produção na região por duas razões muito simples. Primeiro, é uma Bacia riquíssima em gás natural puro, não associado ao petróleo, tem campos produtores de gás natural. Segundo lugar, há blocos que são produtores de petróleo leve, ou seja, não é o petróleo pesado normalmente produzido na Bacia de Campos, é um óleo que o Brasil na matriz de exportação e importação de hidrocarbonetos muitas vezes importa. Então, é um óleo já muito adequado à estrutura de refino.
Paulo Henrique Amorim – É o óleo da Arábia saudita.
Guilherme Dias – É Digamos assim. Há quem diga... um dia eu vi uma explicação do diretor da Petrobrás, do Guilherme Estrella, dizendo que o Espírito Santo, se fosse um país, seria o Irã. É um país que tem vários tipos de óleos e gás natural, quer dizer, numa mesma região. Então, de fato o Espírito Santo, além de já ter uma capacidade de produção de petróleo da ordem de 320 mil barris hoje, isso apenas offshore. Obviamente essas plataformas que estão em operação elas vão subindo gradativamente o volume de produção. E de gás natural as projeções são chegar a 18 milhões de metros cúbicos em final de 2008 e 20 milhões em 2010. Tudo com víeis de alta, como diria o Banco Central. Quer dizer, na hora em que a gente coloca mais alguns anos para frente, o víeis é de alta e a infra-estrutura...
Paulo Henrique Amorim – Pois é, isso que eu queria perguntar para você Guilherme, até agora nós estamos falando do petróleo e do interesse nacional brasileiro, mas o que é que isso tudo vai resultar em obras e em desenvolvimento, que é a tua secretaria para o Estado do Espírito Santo.
Guilherme Dias – Já está resultando na prática. Primeiro porque a Petrobras está terminando de concluir a construção de unidades de tratamento de gás natural em Linhares, que é um município do norte do Estado, é uma enorme estrutura, para fazer o primeiro beneficiamento de gás natural. Até porque do gás natural você decompõe muitas vezes em GLP, o espírito Santo vai se tornar um grande produtor e exportador de gás liquefeito, o chamado gás de cozinha, o C5+, que é uma espécie de uma gasolina, também serve para petroquímica, além do gás natural propriamente dito. A rede de gasoduto eu diria que o novo gasoduto ligando a região norte do Estado à região metropolitana da grande Vitória, onde têm grandes indústrias, ficou pronto e isso já permite aumentar a disponibilidade de gás natural das indústrias e outros consumidores aqui do Espírito Santo. Principalmente a Vale do Rio Doce é um grande consumidor, as indústrias na área de pelotização, indústrias de cimentos que são intensivas em gás natural, enfim, e tem rede de gás natural residencial aqui na cidade de Vitória, são vários usuário. Agora, importante também do ponto de vista do país é que a interligação já no início de 2008, o gasoduto que vai ligar a região metropolitana de Vitória e, portanto, Cacimbas que é o norte do Estado até aquela região de Macaé, onde tem duas termoelétricas se não me engano, já vai estar pronta. Isso significa que essas termoelétricas poderão ser acionadas com gás natural que será produzido no Espírito Santo. São termoelétricas, por sua vez, integradas na rede de energia elétrica no sudeste. E quando a gente avança um pouquinho mais no cronograma para 2009, então esse novo gasoduto estará totalmente integrado à região de Reduc, em Duque de Caxias, aí já entra na malha do gasoduto do sudeste e sul.
Paulo Henrique Amorim – vai se transformar, com o PAC, num importante pólo petroquímico.
Guilherme Dias – E além da ramificação também, da ligação do espírito Santo com a Bahia integrando à rede de gasoduto do nordeste. Então, a expectativa é tão favorável que vai permitir... hoje o Espírito Santo produz e consome domesticamente 1,3 milhão de metros cúbicos, esse número vai subir para, em três anos, para 20 milhões, vai permitir um maior nível de consumo aqui no Estado, mas vai disponibilizar um volume enorme também de gás natural das outras regiões do Brasil.
Paulo Henrique Amorim – Guilherme, vamos falar um pouco dos seres humanos envolvidos nisso. Na última vez que nós nos encontramos você disse que o IDH do Espírito Santo no Brasil só perde para o de Santa Catarina. Quando é que vocês vão passar o de Santa Catarina?
Guilherme Dias – Bom o IDH do Espírito Santo está se aproximando, na verdade os indicadores de um modo geral, um dado mais interessante que surgiu... dois dados que surgiram esse ano, primeiro foi a PNAD, a Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar que o IBGE faz regularmente, a PNAD, com os dados de 2006, indicou uma redução sensível na taxa de pobreza no Estado, então é numa velocidade, uma taxa 50% maior que a média brasileira. Só para você ter uma idéia, apenas na verificação de um ano para outro, a taxa que era quase 20% da população caiu para 14,9%.
Paulo Henrique Amorim – De quando para quando?
Guilherme Dias – De 2005 para 2006. Na hora em que entrar 2007... o mercado de trabalho está muito aquecido, o PIB per capita do Espírito Santo que sempre ficou um pouco na média nacional atualmente, com os dados com foram coletados para 2005, que é quando o IBGE faz uma simulação do PIB regionalizado, na simulação regionalizada, o Espírito Santo Já subiu aí para o quinto lugar no PIB per capita. Então, de fato Santa Catarina de certo modo é benchmarking no Brasil, os indicadores sociais e o Estado, são desenvolvidos e bastante equilibrados e o Espírito Santo, que estava na média nacional, está caminhando para ter indicadores econômicos e sociais de fato entre os melhores do país, numa matriz produtiva naturalmente diferente de outros Estados.
Paulo Henrique Amorim – Agora, então a indústria de gás e petróleo será a principal indústria do estado?
Guilherme Dias – Olha, será uma das mais importantes. O Estado é muito forte na área de siderurgia...
Paulo Henrique Amorim – Celulose.
Guilherme Dias – Bom, nós somos grandes... minério de ferro produzido em Minas Gerais é exportado pelo Estado e parte disse é transformado aqui. Tem dois complexos de pelotização, um complexo da Vale do Rio Doce com vários sócios, alguma coisa próxima de 30 milhões de toneladas/ano em Tubarão e em Vitória e outro complexo que é da Samarco Mineração, mais ao sul também com um volume para expandir para 20 milhões de toneladas. Na siderurgia, a maior vila siderúrgica do Brasil agora está aqui, porque com a expansão, com o terceiro alto-forno e outros investimentos da ArcelorMittal Tubarão, antiga Companhia Siderúrgica de Tubarão, ela está produzindo, já hoje, sete milhões e meio de toneladas de aço. Parte são placas para o mercado global, parte são laminados de tiras a quente, aço plano para o mercado doméstico. Na inauguração, a cerimônia há alguns dias, o senhor Lakshmi Mittal, o presidente mundial da Arcelor falou em alto e bom som que a ArcelorMittal pretende investir US$ 5 bilhões nos próximos anos no Brasil e isso obviamente inclui expansão de Belgo, Acesita, Belgo do Sul, mas ele falou assim "uma fatia grande fica aqui no Espírito Santo". E, além disso, foi fechado um acordo esse ano, a empresa já foi aberta, está na fase de detalhamento e desenvolvimento do projeto, um joint venture entre a Vale e a Bao Steel para construir uma nova siderúrgica aqui, no município de Anchieta. Então, a área de siderurgia é muito forte.
Paulo Henrique Amorim – Quando é que vocês lançam as vendas do tesouro do Espírito Santo no mercado internacional?
Guilherme Dias – (risos) Você tinha me falado também, a celulose é muito forte, a agroindústria, agricultura, o café, a fruticultura. Na questão fiscal o governador Paulo Hartung, a linha de trabalho do governo é... nós vamos muito além do que prescreve a questão da Lei de Responsabilidade Fiscal e esses limites. O Estado hoje, ao lado de Tocantins, é o menos endividado, nosso endividamento global é muito baixo, muito abaixo da média, tem no mínimo 15% da receita do Estado é destinada para investimento. Então, é uma poupança real, é renda transformada...
Paulo Henrique Amorim – Quando vocês gastam em educação?
Guilherme Dias – Aqui o gasto em educação está em até mais do que os 25%, porque nós estamos investindo bastante no Ensino Médio. Mas aí a idéia, na verdade, é ter um crescimento do investimento muito com base no crescimento das receitas. Sem alavancar com o excesso de endividamento. O Estado já sofreu muito no passado com desorganização financeira.
Paulo Henrique Amorim – Não me leve a sério, eu apenas fiz uma brincadeira. Com esse portfólio aí, você lança títulos no exterior com a maior facilidade. É isso que eu estou querendo dizer.
Guilherme Dias – É verdade, mas talvez a nossa contribuição maior para o desenvolvimento é justamente melhorar a prestação de serviços públicos, melhorar o investimento e numa trajetória que seja sustentável. Eu acho que isso, de certo modo, é um elemento que tem atraído não só novos investidores, mas estimulado quem já conhece o Estado a reproduzir e ampliar os seus negócios.
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